Fonte: G1

Fabricantes de brinquedos se livram do cor-de-rosa para atrair meninos às panelinhas

Na maior feira de brinquedos da América Latina, o estereótipo ‘menino x menina’ ainda impera; segundo fabricantes, facilidade de atrair meninas para os carrinhos é maior do que convencer as famílias de que os meninos podem brincar de casinha.


Por Ana Carolina Moreno, G1

 

 

Motivadas pela demanda das famílias, opinião pública e tendências de mercado, as iniciativas para “apagar o gênero” dos brinquedos têm dado maior resultado na inclusão das meninas em brincadeiras historicamente atribuídas a meninos, como carrinhos e super-heróis, do que o contrário. Segundo fabricantes de brinquedos ouvidos pelo G1 na 35ª Feira Internacional de Brinquedos (Abrin), que aconteceu na semana passada em São Paulo, o maior desafio é atrair mais pais e filhos homens às brincadeiras de casinha, consideradas “coisa de menina”.

Para tentar equilibrar a expansão de todos os brinquedos para ambos os gêneros, eles apostam algumas de suas fichas em produtos unissex, caracterizados principalmente pela ausência do cor-de-rosa.

 
 

Nova demanda dos consumidores

Um passeio pelos estandes do evento, que acontece no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade, mostra diversas alternativas de brinquedos que fogem dos estereótipos, embora elas ainda representem uma minoria do que está sendo oferecido aos visitantes e compradores.

Maior feira de brinquedos da América Latina, a Abrin neste ano tem 130 expositores e espera um público de 15 mil pessoas do setor. Renato Pereira é um deles. Diretor da Zuca Toys, uma fábrica que fica em Itatiba (SP), ele vende brinquedos populares e começou a fabricar kits de cozinha há 15 anos. “Naquela época todo mundo fazia assim, rosa. Está meio que no inconsciente da gente”, explicou ele. Para não ficar monocromático, a escolha era sempre acompanhar o rosa com o lilás para esses jogos, classificados como “reprodução do mundo real”.

Foi só em 2015 que a fábrica decidiu lançar seus primeiros jogos de cozinha com cores diferentes, visando o público masculino. A reação foi para ouvir alguns pedidos que apareciam de mães que escreviam à fábrica pelo site e acompanhar tendências.

“As mães começaram a mudar o hábito, dizem que querem ensinar o filho a cozinhar para ser independente quando morar sozinho, para ser um bom marido. Elas falam que é para ter mais igualdade no casamento. Nunca pensamos que poderia ser lúdico assim.”

 

Segundo Renato Pereira, diretor da Zuca Toys, atualmente 20% das vendas de kits de cozinha são nos modelos coloridos, que não usam o rosa (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)Segundo Renato Pereira, diretor da Zuca Toys, atualmente 20% das vendas de kits de cozinha são nos modelos coloridos, que não usam o rosa (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Segundo Renato Pereira, diretor da Zuca Toys, atualmente 20% das vendas de kits de cozinha são nos modelos coloridos, que não usam o rosa (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

 

Atualmente, a Zuca Toys oferece kits de cafeteria, utensílios para lavar louça, passar roupa, jogos de panelinha e outros itens, em jogos ou avulsos, tanto em rosa quanto em outras opções, principalmente em vermelho. Em três anos, Pereira afirmou que os kits neutros já respondem por 20% das vendas.

“A gente começou a escutar o mercado. Desses 20% eu não sei quanto é para menino ou para meninas. Mas acho que esses 20% mostram uma demanda que estava reprimida.”